Hello Kitties!
Rapaz nunca pensei que a história dos 6 anos do post anterior fosse render tanto pano pra manga. Galera agradeço a preocupação e tudo, mas estou benzim aqui oh!
Teve gente "descarada" que veio me perguntar se eu era gay de verdade! Pode uma coisa dessa? Olha você pode me xingar de qualquer coisa, só não me chame de bi ou hetero peloamordedeusaxana, tudo tem limite!
Então, já faz um tempo que eu queria postar isso aqui mas não tinha sentido o "feeling" ainda! Mais veio, então vamos lá meus psicologos particulares!
Eu nasci e cresci em uma cidade pequena de gente simples e costumes bem conservadores. Minha família é bem grande mesmo, vários tios e todos casados e com varios filhos e netos, muita gente. Dos primos, receio eu dizer, que acredito ser o único gay, nenhum outro aparenta ser. E meus outros dois irmãos tambem são heteros, de maneira que sou o único que não tenho os mesmos interesses que os demais. A respeito de amigos, eu tambem não tive na rua ou na escola contato com qualquer amigo que fosse assumido. Eu acho que até devia ter algum gay, mas nenhum assumido. Na cidade existia um grupo de gays já adultos e que andavam juntos, eram todos cabeleireiros. Tinha tambem uma travesti que morava na esquina da minha rua e que vez ou outra aparecia machucada por apanhar na rua.
Bom essa era a realidade que eu conhecia para um indivíduo homossexual, eu não tive bases pra me identificar com nenhum desses estilos de vida. E desde que consigo me lembrar gostei de homens, eu nunca me interessei pelo sexo feminino, gostava da compania de meninas mas não sentia "paixão" ou "T" por elas.
Outro fator marcante foi que eu desde cedo estudei em escola evangélica e logo na infância meus pais se converteram e passaram a frequentar a igreja. Então nos meios em que convivi jamais tive contato com alguem que me fizesse acreditar que ser homossexual não tinha nada demais. Assim quando eu estava com 16 anos eu conheci um cara na igreja. Ele era novo convertido e quando olhei pra ele saquei que tinha uma coisa diferente (sério mesmo, essa parada de gaydar existe! Fato!). Pois bem, nos tornamos amigos e eu fui designado pela igreja pra discipular ele, colocá-lo nos "caminhos de Deus"!
Passei a frequentar a casa dele assiduamente e passava manhãs e tardes conversando com ele. Ele morava sozinho com uma tia, e nós passavamos o tempo todo trancados no quarto dele. No início nós faziamos os estudos biblicos mesmo, mas com o tempo passamos a conversar muito. Tinha dias que eu nem mesmo tocava mais na biblia, apenas ficava conversando. A gente nunca tocou no assunto "gay", as conversas eram mesmo sobre coisas do cotidiano. Meus outros amigos não conversavam sobre essas coisas, a gente so se reunia pra jogos de rua e os da igreja muito menos. Com esse cara era diferente, a coisa fluia, era um papo gostoso e descontraido, sabe do tipo que você nem percebe o tempo passar!
Um certo dia uma amiga chegou pra mim e disse que esse cara era gay, e que ja tinha sido visto andando na casa daquele grupo de gays da cidade. Eu não fiquei surpreso, eu fiquei meio que aliviado em descobrir o porque de eu ter achado ele diferente dos outros e da afinidade que tinha com ele. Cheguei pra ele e disse que haviam me falado "coisas" sobre ele. Ele ficou meio constrangido e me perguntou se tinha algum problema, eu disse que não, e continuamos do mesmo jeito. Eu não cheguei a dizer pra ele que eu era "gay", e me arrependo disso. Em certa ocasião até pedi ajuda dele pra ficar com uma garota. Ele ajudou, mas depois ficou um tempo sem falar comigo, não sei se ele era ou não afim de mim, mas eu definitivamente nunca pensei nele como "affair", e sim como amigo, porra meu primeiro amigo de verdade, que eu podia conversar sobre tudo abertamente, sem mentir ou fingir nada, mas infelizmente não aproveitei corretamente isso.
Um belo dia minha mãe, não sei pela boca de quem, descobriu que esse garoto era gay. Ela passou a agir estranhamente comigo, toda vez que eu dizia que ia pra casa do garoto ela ficava diferente, intimidadora. Até ao ponto dela abrir o jogo e dizer que não queria que eu andasse com esse cara porque ele era gay. Cada vez era mais dificil, lembro que ela até chegou a me segurar pelo braço e me impedir de ir pra casa dele, mesmo assim continuei indo. Até que um dia quando cheguei em casa encontrei ela me esperando, com uma cara de preocupação angustiante. Eu na mesma hora perguntei o que tinha acontecido, e ela desabafou:
---->Filho tive um sonho horrivel ontem a noite e que esta me angustiando até agora...
---->Sonho? Que sonho foi esse mãe, se acalme!
---->Eu sonhei que estava naquela praça do centro e ia caminhando por ela, e de repente avistava duas pessoas, e elas começavam a se abraçar e se beijar, como namorados...
---->Ué, não entendi...
---->Eram dois garotos se beijando... era horrivel, nojento, não tava certo...
---->(eu sem palavras)
---->(Ela começou a chorar) ...filho por favor não vire isso, eu não quero que você vire isso, por favor, pare de ver esse garoto, você pode acabar...
Acho que esse foi o pior momento de toda minha vida. Nenhum filho merece passar por isso, ver o pai ou mãe chorando na sua frente, com medo de que você seja justamente o que você é. Cara eu me senti horrível, como se o mundo caisse ali. Eu feliz por ter feito um amigo de verdade e de repente vem um pedido desses da minha própria mãe. Cara pense o que quizer, é minha mãe, minha mãe, eu não tive escolha, tive mas nem sequer pensei em fazer. Só consegui balançar a cabeça e concordar. Deixei de frequentar a casa do cara, na igreja nos falavamos vez ou outra, mas minha mãe ficava sempre de olho então eram conversas do tipo oi, tudo bem, adeus. E como era de se esperar ele se afastou da igreja, e claro de mim. Cheguei a encontrar ele na rua, chamar pelo nome dele e ele nem olhar pra minha cara, mas do que merecido pelo que fiz com ele, fui um puto.
Eu perdi uma baita oportunidade ai... eu gostaria muito de poder reatar essa amizade e contar pra ele toda essa história e principalmente que sou gay. Sinto falta, porque depois dele nunca mais tive uma amizade assim. Isso serviu pra eu me fechar ainda mais, tentar uma cura, orar noites e noites de joelho e testa no chão, me dedicar mais aos estudos e a igreja.
Por muito tempo o meu maior receio em contar para minha mãe que sou gay era o de que ela sentiria a mesma coisa que eu senti quando ela me pediu "pra não ser gay". Eu sei como foi dificil, decepcionante e doloroso ouvir aquilo e demorei muito tempo pra lidar com tudo isso. Imagina ter que submeter sua propria mãe a todo esse processo. Por outro lado eu sei que ela me ama muito, e não merece que eu continue mentido para ela. Eu não me preocupo com meu pai ou irmãos ou qualquer outra pessoa, a unica pessoa com a qual me preocupo é com ela. Por isso quero que ela seja a primeira a saber sobre mim, e que seja da minha propria boca. Esse tambem é o motivo pelo qual não penso em procurar namorado ou sexo, porque ficaria arrasado se alguem descobrisse e contasse pra ela. Tudo bem por enquanto, realmente ainda não estou no meu limite, consigo lidar bem com isso tudo.
No proximo ano inclusive estarei lançando meu DVD contando todo o segredo da arte milenar desenvolvida por monges tibetanos enrustidos para o controle do ki-gay. Aprenda em 7 aulas rapidas e interativas como controlar seu ki-gay e viver uma vida enrustida e saudável. Exclusivamente pela editora NúCloset! Por que no armário é mais gostoso!
Galera desculpa pelo mega-post, muito chato de ler isso tudo eu sei, mas eu não queria dividir o post em dois. Tem pessoas com o coração muito fragil que não aguentariam chorar com dois posts seguidos (Gabuh tá vivo ai cara?). Então seguindo a recomendação do ministerio da saúde eu fixei tudo só em um mesmo!
Obrigado pela audiência, e pelos comentários, quem quiser bater-papo é so add msn. Aproveita que estou de férias, depois não vou ter tempo mais pra essas coisas!
Abraços@.com pra todos!